Enviada do MEC participa de ato no Acre e detalha ações após ataque no ISJ

Foto: coordenadora do Núcleo de Resposta e Reconstrução a Comunidades Escolares do Ministério da Educação (MEC), Sarah Carneiro I Whidy Melo/ac24horas
A coordenadora do Núcleo de Resposta e Reconstrução a Comunidades Escolares do Ministério da Educação (MEC), Sarah Carneiro, afirmou nesta quinta-feira (7), durante o ato em homenagem às vítimas do ataque no Instituto São José, em Rio Branco, que o Governo Federal trabalha com um período de aproximadamente um ano para reconstrução da comunidade escolar atingida pela tragédia.
Sarah participa da caminhada organizada em solidariedade às vítimas do atentado, que reuniu centenas de pessoas em frente ao Palácio Rio Branco, entre estudantes, familiares, professores, funcionários da escola e moradores da capital acreana.
Enviada ao Acre pelo MEC para acompanhar a gestão da crise junto ao governo estadual, prefeitura e direção da escola, ela explicou que o trabalho faz parte do programa federal “Escola que Protege”, criado durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar o avanço dos ataques de violência extrema em instituições de ensino brasileiras.
“Nosso papel neste momento é fazer um apoio para a questão da crise e construir, junto ao governo do estado, junto ao município e junto à escola, o que a gente precisa fazer nesse momento para tornar de novo a escola um espaço seguro, não só fisicamente, mas emocionalmente e pedagogicamente”, afirmou.
Segundo Sarah, o MEC passou a atuar ainda no dia do atentado, em articulação direta com a Secretaria de Educação do Acre.
“No próprio dia do ataque, o Ministério da Educação já se mobilizou junto à Secretaria de Educação do Estado do Acre. Desde o dia zero nós estamos juntos nessa gestão de crise”, declarou.
Ela explicou que o trabalho é dividido em fases, começando pela resposta imediata e avançando posteriormente para ações de médio e longo prazo.
“A gente trabalha com um período de mais ou menos um ano em relação à escola que foi vitimada”, disse.
Durante a entrevista, Sarah também comentou as discussões sobre medidas de segurança que passaram a ser debatidas após a tragédia, como a instalação de detectores de metal e revista de mochilas nas escolas.
Segundo ela, a decisão sobre adoção dessas medidas cabe ao Governo do Acre, e não ao MEC.
“O Ministério da Educação não tem poder de definir o que o Estado vai fazer. O Estado tem autonomia para tomar as decisões que ele acha que precisa tomar nesse momento”, afirmou.
Sarah ponderou ainda que existem questões legais e operacionais envolvendo medidas de fiscalização de estudantes, especialmente menores de idade.
“Existe uma questão legal em torno da revista de menores que precisa ser abordada”, declarou.
A representante do MEC também ressaltou que ainda não considera a violência escolar no Brasil uma situação “endêmica”, mas classificou o cenário atual como preocupante.
“Nós não tínhamos esses eventos aqui e, de um tempo para cá, a gente viu eles aumentarem. Ainda não é uma situação endêmica, mas é preocupante. Um único ataque já nos preocupa”, afirmou.
Segundo ela, o Governo do Acre já possuía uma estrutura de resposta organizada quando a equipe federal chegou ao estado.
“A crise exige rapidez na resposta. O governo já tinha organizado uma resposta e a gente veio para somar”, disse.
O ataque ao Instituto São José ocorreu na manhã da última terça-feira (5), quando um adolescente de 13 anos entrou armado na escola e efetuou disparos dentro da unidade de ensino.
As funcionárias Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos, morreram após tentarem conter o atirador e proteger estudantes e servidores da instituição. Outras duas pessoas ficaram feridas, incluindo uma estudante.
Após a tragédia, o Governo do Acre suspendeu as aulas por três dias nas redes estadual, municipal e particular e anunciou reforço policial nas escolas, além da adoção de protocolos emergenciais de prevenção e monitoramento.