MEC informa que 2,7% das escolas do Acre interromperam aulas por violência

MEC informa que 2,7% das escolas do Acre interromperam aulas por violência

Foto: Ilustrativa/ilustração

Meses antes do ataque ocorrido no Instituto São José, em Rio Branco, na terça-feira (6), o Acre já aparecia em indicadores nacionais sobre violência no ambiente escolar divulgados pelo Governo Federal. Os dados constam no 4º Boletim Técnico “Escola que Protege”, publicado em fevereiro deste ano pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério dos Direitos Humanos e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O documento apresenta um amplo diagnóstico sobre ataques extremos, bullying, violência interpessoal, ameaças e sensação de insegurança nas escolas brasileiras, reunindo informações de órgãos federais, pesquisas nacionais e registros de segurança pública.

Entre os dados que envolvem diretamente o Acre, o boletim aponta que 2,7% das escolas acreanas relataram interrupção do calendário letivo em 2023 em razão de episódios de violência. O índice aparece no mapa nacional elaborado a partir do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Outro dado relacionado ao estado mostra que 1,8% das escolas do Acre registraram ao menos um episódio de tiroteio ou bala perdida em 2023, segundo levantamento nacional citado pelo relatório.

O boletim também traz um panorama nacional preocupante sobre ataques extremos em instituições de ensino. Segundo o documento, o Brasil registrou 47 ataques de violência extrema contra escolas entre 2001 e 2025, com 177 vítimas, sendo 56 mortes e 121 pessoas feridas.

O relatório destaca que, após a criação do Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (SNAVE), em 2024, houve redução expressiva no número de ataques, embora o cenário ainda seja considerado preocupante pelas autoridades.

Entre os fatores apontados como centrais para os ataques estão o avanço das comunidades extremistas online, discursos de ódio, radicalização digital e o acesso facilitado a armas de fogo dentro das próprias residências. O estudo ressalta que armas de fogo foram utilizadas em 20 dos 47 ataques catalogados e responderam por cerca de três quartos das mortes registradas.

O documento também chama atenção para o crescimento das ameaças virtuais contra escolas brasileiras. Segundo pesquisa citada no boletim, o número de postagens com ameaças e discursos de ódio direcionados a escolas cresceu 360% entre 2021 e 2025, ultrapassando 88 mil menções apenas até maio do ano passado.

Outro dado destacado pelo relatório aponta que 12,6% das escolas brasileiras sofreram ameaça ou tentativa de ataque nos 12 meses anteriores a uma pesquisa realizada em 2023, o equivalente a mais de 16 mil instituições educacionais.

O boletim também mostra que a violência cotidiana nas escolas brasileiras segue em alta. Apenas em 2024, foram registradas 15.759 notificações de violência interpessoal em ambientes escolares e 2.273 casos de violência autoprovocada.

Os pesquisadores alertam ainda para a relação entre bullying, discriminação, violência psicológica e futuros episódios de violência extrema. Segundo o levantamento, 67,5% dos diretores escolares brasileiros relataram casos de bullying em suas escolas em 2023.

O ataque no Instituto São José ocorreu nesta terça-feira (5) e passou a integrar a cronologia nacional de violência extrema em instituições de ensino. O atentado deixou mortas Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos, funcionárias da escola que tentaram conter o adolescente de 13 anos responsável pelos disparos.

Segundo relatos divulgados ao longo do dia, as duas perceberam os tiros e agiram para impedir o avanço do atirador e proteger estudantes e demais servidores, mas acabaram baleadas. Além das mortes, outras pessoas ficaram feridas, incluindo uma estudante.

A governadora Mailza Assis afirmou que há indícios de que o adolescente “não agiu sozinho”, indicando que as investigações deverão aprofundar possíveis influências e participações no planejamento do atentado.

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