Seguindo a cartilha de Maquiavel — segundo a qual o mal deve ser feito de uma só vez e o bem aos poucos, para que o mal seja rapidamente esquecido e o bem lembrado por mais tempo — o governo do Acre destruiu a tabela de uma só vez. Em contrapartida, já realizou mais de dez convocações de concursados, e cada convocação vira uma festa, acompanhada de discursos políticos.
No entanto, a realidade da educação acreana se impõe por meio de seus números e dados oficiais disponíveis. No quesito proporção entre funcionários efetivos e provisórios, o Acre ocupa o último lugar entre todos os estados brasileiros. Essas convocações, de pouco mais de dois mil concursados, feitas de maneira fatiada pelo governo, não mudarão significativamente essa posição vergonhosa.
Desafio qualquer defensor ou servidor desse governo de Gladson Cameli — que completa oito anos de mandato — a apresentar qual índice ou setor do nosso sistema de educação melhorou seus indicadores ao longo dos dois mandatos do atual governador.
A educação acreana, quando vira notícia nacional, não é por alguma virtude; geralmente expõe mazelas. Somos recordistas em contratos provisórios e precarizados. Já figuramos, em um passado não muito distante, entre os melhores salários do país; hoje estamos entre os últimos. A educação nunca viu tanto dinheiro em seus cofres: os recursos do FUNDEB aumentam sucessivamente todos os anos, e ninguém vê esse dinheiro fazer diferença concreta.
Os salários são miseráveis, as condições são precárias e já não há expectativa de melhora. Trata-se de um governo que se encerra de forma trágica: teve condições objetivas de entregar muito, mas, na prática, ao final e ao cabo, entregou quase nada.