Cerca de 68% dos trabalhadores reconhece a importância dos sindicatos

Pesquisa feita pelo Vox Populi ouviu 3.850 trabalhadores de diferentes perfis
 

Uma pesquisa nacional realizada pelo Vox Populi revela que os sindicatos seguem sendo vistos como instrumentos centrais na defesa dos direitos trabalhistas no Brasil. O levantamento mostra que 68% dos/as trabalhadores/as consideram os sindicatos importantes ou muito importantes para garantir melhores condições de trabalho e proteger conquistas históricas da categoria.


O estudo integra a pesquisa “O Trabalho e o Brasil”, encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Fundação Perseu Abramo, com apoio técnico do Dieese e do Fórum das Centrais Sindicais. Ao todo, foram ouvidos 3.850 trabalhadores de diferentes perfis, incluindo empregados com e sem carteira assinada, servidores públicos, autônomos, trabalhadores por aplicativo, desempregados e aposentados.

Para a vice-presidenta da CNTE, Marlei Fernandes, o resultado representa um reconhecimento histórico da importância da organização coletiva. “Esse dado dessa pesquisa é muito importante para a classe trabalhadora e é um reconhecimento de que cada vez mais os trabalhadores e as trabalhadoras vêm entendendo o papel dos sindicatos, apesar das campanhas muito fortes feitas por governos de direita contra a nossa organização, que é um direito constitucional”, afirma.

Segundo ela, a CNTE carrega uma trajetória diretamente ligada à construção da educação pública no país. “A CNTE é uma entidade com histórico de luta, que vem desde as associações, desde a instituição da escola pública. Todo o processo de construção da escola pública do país passa e passou pela luta dos educadores e educadoras”, destaca. “Nós não fazemos apenas uma luta corporativa. Sempre fizemos uma luta pela sociedade como um todo.”

Entre os principais papéis atribuídos aos sindicatos pelos entrevistados estão:Melhoria de salários e condições de trabalho

Defesa de direitos trabalhistas

Melhoria das condições de vida

Mediação entre trabalhadores e empresas

Os dados indicam que, apesar das transformações no mundo do trabalho e da queda nas taxas de sindicalização nos últimos anos, a percepção social sobre a relevância das entidades permanece positiva.

Marlei reforça que, no caso da educação, essa atuação se materializa em conquistas concretas. “A luta por recursos públicos para a escola pública, a defesa do FUNDEF e do FUNDEB, a gestão democrática, os concursos públicos, o Plano Nacional de Educação, a carreira, o piso salarial, todas essas conquistas são lutas da CNTE junto com as suas entidades filiadas”, pontua. Hoje, a Confederação reúne 63 sindicatos filiados em todo o país, entre estaduais e municipais.

Desafios

Ao mesmo tempo, a pesquisa revela um desafio importante: mais da metade dos trabalhadores afirmam não conhecer ações concretas desenvolvidas por seus sindicatos. Esse dado aponta para a necessidade de fortalecer estratégias de comunicação e ampliar a presença das entidades nos locais de trabalho.

Para a dirigente, o contexto recente ajuda a explicar tanto os desafios quanto o reconhecimento. “O último governo fez um ataque brutal às entidades sindicais. O projeto era destruir qualquer organização da classe trabalhadora, inclusive por meio da reforma trabalhista. Nós resistimos. Foi muito difícil, mas resistimos e fomos para as ruas. Hoje colhemos os frutos desse período de resistência”, afirma.
Entre os entrevistados, 52% declararam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com a atuação sindical. No entanto, os trabalhadores também indicaram caminhos para ampliar a representatividade das entidades, como:Maior presença no local de trabalho

Melhor comunicação com a categoria

Oferta de cursos de qualificação profissional

Outro dado relevante é que 14,6% afirmam que com certeza se filiariam a um sindicato e 35,9% consideram possível filiar-se. Entre autônomos e empreendedores, 49,6% defendem ter um sindicato próprio, ainda que a legislação brasileira limite a organização sindical a categorias formais e profissionais liberais.

Para Marlei, o crescimento do reconhecimento está ligado ao sentimento de insegurança vivido por muitos trabalhadores. “As pessoas vêm passando por mudanças no mundo do trabalho que geram desproteção. Não ter direito à aposentadoria, não ter estabilidade, tudo isso causa instabilidade. Por muito tempo se vendeu a ideia de que cada um é empreendedor de si mesmo. Isso está mudando. As pessoas percebem que precisam de proteção. E quem faz essa defesa é o sindicato”, afirma.

Ela destaca ainda a necessidade de diálogo com os novos perfis da categoria. “Há muitos trabalhadores jovens ingressando na educação, muitos em contratos temporários. A CNTE tem orientado os sindicatos a reformular seus estatutos para filiar trabalhadores temporários e precarizados, ampliar campanhas de formação sindical e fortalecer a presença da juventude no movimento”, explica. A Confederação também desenvolve a campanha “Juventude Muda a Educação Pública”, voltada à aproximação com os mais jovens.

Para a vice-presidenta, sindicalizar-se é fortalecer a coletividade. “Falar do processo de sindicalização é falar da vida. Nossa vida é coletiva, nossos direitos são conquistas coletivas. O sindicato é espaço de formação, de aprendizagem e de luta permanente. É luta pelos direitos trabalhistas, mas também pelos direitos sociais, pela escola pública e pela democracia”, ressalta.

Ela conclui com um convite à categoria: “Nós queremos um mundo melhor, uma escola pública de qualidade, soberania nacional e democracia. Temos muito a conquistar e só faremos isso juntos e juntas. Por isso, convidamos quem ainda não é filiado ao seu sindicato que se filie e cada sindicato municipal que ainda não é filiado à CNTE que venha fortalecer essa grande luta coletiva.”

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