Servidores da educação protestam na Aleac e cobram retomada de negociação com o governo

Foto: Whidy Melo/ac24horas
Servidores da educação estadual do Acre ocupam a frente da Assembleia Legislativa, em Rio Branco, na manhã desta quarta-feira (1), em um protesto marcado por críticas duras ao governo e pela cobrança imediata de retomada das negociações salariais. O ato foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Acre (Sinteac) e reune profissionais que denunciam perdas financeiras significativas e a ausência de reposição inflacionária nos últimos anos.
A presidente do Sinteac, Rosana Nascimento, afirmou que a escolha do dia 1º de abril, popularmente conhecido como “dia da mentira”, para a mobilização, tem caráter simbólico. Segundo ela, o governo promoveu alterações na tabela salarial da categoria, provocando perdas que, de acordo com o sindicato, variam entre R$ 500 e R$ 2.610. “Hoje nós combinamos primeiro de abril porque foi o dia que o governador desestruturou a nossa tabela, achatando os salários”, declarou.
Em tom de desabafo, a dirigente sindical descreveu um cenário de desgaste financeiro generalizado entre os trabalhadores da educação. Ela afirma que a ausência de reposição inflacionária ao longo de três anos tem levado muitos servidores ao endividamento. “Todo mundo está desesperado. Na avaliação deles, qualquer coisa é melhor do que nada. Qualquer migalha o povo está aceitando”, disse.
O protesto também evidenciou o impasse nas negociações com o governo do Estado. De acordo com Rosana, uma proposta chegou a ser apresentada, mas foi retirada após os sindicatos apresentarem contrapontos. Para ela, a postura rompe a lógica do diálogo. “Se está negociando, o governo apresenta uma proposta, os sindicatos avaliam e constroem contrapropostas. Ele se recusou e retirou a proposta”, afirmou.
A situação se agravou, segundo a presidente do sindicato, após o governo sinalizar que não pretende apresentar uma nova proposta neste momento. A justificativa, conforme relatado por Rosana, seria o receio de alterações no texto por parte de deputados estaduais durante a tramitação na Assembleia. “Ele disse que não iria apresentar mais nenhuma proposta porque poderia haver emendas e isso constrangeria a base do governo”, relatou.
Outro ponto de forte insatisfação entre os servidores é o formato das medidas apresentadas até agora. A proposta do Executivo, baseada na concessão de auxílios, é vista como insuficiente diante das perdas acumuladas. A dirigente afirma que houve recuo, inclusive, em relação a valores que já haviam sido discutidos internamente. “O secretário de educação tinha colocado na mesa um auxílio de mil reais, mas agora isso foi reduzido. A educação está sendo a mais prejudicada”, criticou.
Rosana Nascimento sustenta que, embora existam pautas comuns a todo o funcionalismo, como a Revisão Geral Anual, a educação enfrenta um problema específico que agrava ainda mais o cenário: a reestruturação da tabela salarial, que, segundo ela, provocou distorções e prejuízos diretos à categoria. “A educação foi a única que teve a tabela desestruturada. Isso causou um dano financeiro muito grande. É a categoria mais injustiçada nesse processo”, afirmou.
Mesmo diante das críticas, os servidores sinalizam que podem aceitar a proposta inicialmente apresentada, ainda que considerada insuficiente, diante da falta de alternativas. A prioridade agora, segundo o sindicato, é que o governo retome as negociações e volte a colocar uma proposta formal em discussão. “Se é o que tem, os servidores estão se submetendo, porque não dá mais para ficar sem nada”, concluiu a presidente do Sinteac.