É preciso que nos matem para notar que existimos?

Beth T. Moraes Barros. Facebook/reprodução.

Condições de trabalho inadequadas, violência e baixos salários matam professores lentamente nas escolas. Às vezes, nem tão lentamente assim.


EDUCAÇÃO | O Brasil inteiro está chocado com o bárbaro assassinato da professora Elisabeth Tenreiro, a facadas, numa escola pública de São Paulo. De repente, é como se todo mundo notasse que os professores existem.

Fato tomou ares mais indignantes, espanto e tristeza porque o assassino é um adolescente quase ainda criança, de apenas treze anos de idade.

E ela, a guerreira morta, uma doce senhora-menina, em plena atividade — aos 71.

O garoto só não matou mais gente porque foi contido por uma brava docente do estabelecimento de ensino.

Em que tempos e país estamos e vivemos?, indagam-se muita gente Brasil afora e até em outros cantos do planeta.

Esse tipo de tragédia pode acontecer novamente? Fica a dúvida e o medo, depois do lamentável ocorrido.


Mas não adianta apenas chorar e lamentar a morte da nossa professora Elizabeth Tenreiro. Nem tampouco acreditar que há saída fácil para o grave problema. É preciso entender a fundo a questão, para que se tome as medidas preventivas corretas.

Quem conhece o dia a dia dos professores nas salas de aula de todo o Brasil sabe que a violência, de modo geral, não é uma exceção, é rotina. E rotina tamanha que passa a ser banalizada e vista indevidamente como algo normal.


E tal violência não se materializa apenas quando um garoto de apenas treze anos chega encapuzado, mata a professora e tentar tirar a vida dos colegas de escola. Isto é a coisa elevada ao extremo. Mas não a única forma de ser.

A violência contra os professores ocorre também por conta das salas superlotadas e sem conforto, algo que estressa e estimula a indisciplina e o furor nos alunos, seja entre eles mesmos, seja contra os docentes.

A violência contra os professores ocorre também por conta da carga horária excessiva de trabalho que têm de cumprir, com muitas turmas e discentes. Não são poucos os que atuam manhã, tarde e noite. E ainda levam trabalho para casa.

A violência contra os professores ocorre também por conta dos baixos salários que recebem, o que aliás os obriga a empreender a super carga de trabalho, para alcançar uma melhor remuneração.


Isto tudo nos adoece, e também nos mata, lentamente. E às vezes, nem tão lentamente assim.

Portanto, é preciso encarar toda essa problemática de forma séria, desde, por exemplo, contratar psicólogos para cuidar dos alunos, até melhorar o salário dos professores. Não precisamos ser assassinados para que notem que existimos.

Por fim, quanto à professora Elizabeth Tenreiro, deixo póstumos meu beijo e forte abraço. E o lamento por não tê-la conhecido pessoalmente. Deixo também a minha solidariedade a sua família e amigos. Descanse em paz, guerreira.

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