Covid-19: com 5 professores infectados e 1 morto, Educação suspende aulas em escola do DF



Segundo a pasta, não haverá atividades presenciais no CED Stella dos Cherubins Guimarães Trois, em Planaltina, até o dia 29 de setembro

A morte do professor Joseli Gomes de Farias, 53 anos, por Covid-19, registrada na última terça-feira (14/9), fez a Secretaria de Educação do Distrito Federal suspender as aulas presenciais do Centro Educacional (CED) Stella dos Cherubins Guimarães Trois, em Planaltina, na quarta-feira (15/9).

As atividades presenciais foram suspensas, a princípio, até esta sexta-feira (17/9), com previsão de retorno na próxima segunda (20/9). Segundo comunicado enviado a docentes, pais, responsáveis e alunos da unidade de ensino, o período de afastamento se fazia necessário para observar o possível surgimento de sintomas em outras pessoas. A escola também comunicou que o espaço seria sanitizado.

Procurada pelo Metrópoles nesta manhã, a Secretaria de Educação atualizou a informação e afirmou que o CED Stella dos Cherubins Guimarães Trois estará fechado até quarta-feira (29/9), para higienização e desinfecção da unidade. As aulas seguem de forma remota.

A medida vale para todas as turmas. O colégio atende a alunos dos ensinos fundamental e médio, em período integral.

Segundo a professora Luiza Oliveira, há um surto de casos do novo coronavírus na instituição. A docente leciona na unidade e fez um relato nas redes sociais, alegando que pelo menos cinco professores da escola foram diagnosticados com a Covid-19. Luiza também informou que o professor Joseli já estava vacinado.

Após a morte dele, outras duas professoras foram contaminadas pela doença. Os demais docentes estão esperando o resultado de exames ou se encaminhando para fazer o teste.

“Há uma série de casos entre professores desde a semana passada. São diversos atestados de estudantes com suspeita de Covid-19. Tanto entre os professores, como também em relação aos estudantes, temos casos confirmados e suspeitos. A gente está percebendo muita dificuldade de o protocolo ser seguido rigorosamente”, alegou.

A professora comentou, ainda, que não há ventilação adequada nas salas de aula. “Seria necessária a ventilação adequada das salas de aula, máscaras seguras (PFF2) disponibilizadas para todos e um protocolo eficiente de isolamento e testagem. Não temos nenhuma dessas condições em nosso colégio. As janelas são basculantes, algumas não abrem e, naquelas que abrem, a fresta que abre é mínima. Quase não circula ar. Os alunos fazem curso integral e ficam o dia inteiro na escola. Eles não têm máscara pra ficar trocando e passam o dia inteiro com a mesma máscara”, descreveu.

“O protocolo diz que, nos casos suspeitos e confirmados, deve-se avisar à comunidade escolar que teve contato, para que se tome as devidas providências. Porém, o monitoramento da Secretaria de Saúde e de Educação desses casos é ineficaz e não sabemos onde estão os casos suspeitos, se testaram, qual o resultado do teste, e muito menos se avisam os contatos próximos com a celeridade necessária”, acrescentou a docente.

Luiza afirmou que encaminhou denúncias ao Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) e à Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). “O sindicato vem acompanhando e ainda estou na expectativa de que a Comissão de Direitos Humanos possa acompanhar e visitar a escola,” disse.

Sindicato dos Professores

Segundo o Sinpro-DF, a escola tem seis casos confirmados e as aulas só foram suspensas após a morte do professor. Antes de ele testar positivo, todos estavam trabalhando presencialmente.

Ainda segundo a entidade, até o momento, 101 escolas contabilizam casos de Covid-19 entre profissionais da Educação ou estudantes. De acordo com dados do Comitê de Monitoramento de Retorno às Aulas Presenciais, entre as queixas e denúncias por parte de professores e orientadores educacionais, muitas se referem à não testagem daqueles que circulam na escola e a não disponibilização, ou disponibilização limitada, de máscaras de proteção pelo GDF. Esse é um problema generalizado no DF, que vê a taxa de transmissibilidade aumentar e as restrições à circulação se afrouxarem.

O Sinpro-DF ingressou com ação na Justiça para anular a Circular nº 7, que determina o retorno presencial de todos, indistintamente, inclusive aqueles que não estão com o ciclo de imunização completo. Nas mesas de negociação com a Secretaria de Educação, o sindicato tem insistido na testagem em massa como forma de prevenir o contágio. “A variante Delta já é predominante no DF, e todos sabemos que ela é muito mais contagiosa que a cepa original do vírus”, aponta Consuelita, diretora do Sinpro.

A entidade sindical lançou, na quarta-feira (15/9), a campanha “Minha Vida Também Vale Muito”. A iniciativa tem como objetivo defender a vida e exigir do GDF tratamento isonômico a toda a categoria.

“Não há indícios de surto”

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) emitiu uma nota lamentando a morte do professor. No texto, a pasta nega que haja indícios de surto de Covid-19 no local.

“O caso vem sendo monitorado pela Secretaria de Educação, em apoio à Secretaria de Saúde, para que as medidas necessárias continuem a ser tomadas. As escolas da rede pública seguem os protocolos de biossegurança e são um ambiente seguro para o processo de ensino e aprendizagem”, pontuou.

Ainda segundo a SEEDF, está em fase de ajuste o sistema criado pela Secretaria de Saúde no qual serão registrados e acompanhados os casos de Covid-19 na rede pública de ensino. “A ferramenta de trabalho das secretarias de Saúde e de Educação será lançada em breve”, acrescentou a nota

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